Belo Horizonte em um final de semana

Fundada em 1897, Belo Horizonte foi encomendada para ser a capital política e administrativa de Minas Gerais, e é a primeira cidade planejada do Brasil, com projeto inspirado em cidades como Paris e Washington. A ideia era que toda a área urbana ficasse dentro da Avenida do Contorno – obviamente a expansão extrapolou o projeto inicial que previa que a população chegaria a 100.000 habitantes (hoje passa dos 2 milhões).

Igrejinha da Pampulha

A capital pode ser muito bem explorada em um final de semana, quando os hotéis são mais baratos e as ruas mais vazias. Mas se quiser conhecer Ouro Preto ou o Inhotim separe mais alguns dias.

Existem 2 aeroportos na região metropolitana, mas dificilmente você chegará pelo da Pampulha (mais central, mas que opera voos regionais) e provavelmente pelo aeroporto de Confins – que sim, fica bem longe! Para chegar até a área central da cidade as opções ficam com táxi (compre no desembarque, Cooperfins e Minas Táxi operam táxis comuns com valor tabelado de R$ 112,00), transfers ou ônibus (o Conexão Aeroporto executivo custa R$ 26,75 e te deixa em um terminal perto da Praça da Liberdade, o convencional custa R$ 12,10, mas para no Terminal Rodoviário, mais distante).

Procure se hospedar na região de Lourdes ou Savassi. Em 2015 ficamos no Ibis Afonso Pena, e gostamos da localização.

Chegando na sexta à noite, deixe as coisas no hotel e aproveite pra ir em um dos barzinhos da Savassi. Eles ficam nas proximidades da Praça Diogo de Vasconcelos, mas são meio espalhados. Fomos em um na Rua Antonio de Albuquerque, que estava mais movimentada. Lourdes também tem boas opções na altura da Praça Marília de Dirceu.

O sábado será o dia mais aproveitado do final de semana. Dependendo de sua localização, adapte a ordem do roteiro para facilitar as andanças.

Comece o dia com um bom café e pão de queijo mineiro e siga para a Praça da Estação (Praça Rui Barbosa – Avenida dos Andradas, 201), local onde passava a antiga estrada de ferro – que foi usada pra trazer a matéria-prima da construção da cidade, e hoje abriga as estações de trem e metrô. A praça foi revitalizada e está bem bonita, ali também fica o Museu de Artes e Ofícios, espaço sobre o universo do trabalho, das artes e ofícios do Brasil.

Praça da Estação
Área central onde ocorrem eventos e apresentações

Andando três quadras você estará no Parque Municipal, aproveite pra dar uma volta, passar pelo lago e ver algumas árvores centenárias.

Uma das entradas do Parque Municipal
Parque Municipal

Quinze minutos de caminhada te levam ao Mercado Central, atração típica (se desejar pode incluir uma visita guiada).

Gosto de ir aos mercados pra conhecer um pouco mais da cultura e dos hábitos locais. Circule pelas inúmeras bancas e aproveite pra olhar (volta e meia experimentar) os queijos, cachaças e doces de leite e sentir os aromas dos temperos e pimentas. Não se assuste com a muvuca habitual e com a ala dos animais. Se conseguir vencer a disputa por uma mesa ou um espaço em algum dos restaurantes, almoce por lá. Linguiça defumada, mandioca e carne de sol fazem parte dos cardápios, mas se você gosta de experimentar coisas diferentes dê uma chance ao famoso fígado com jiló.

Entrada do Mercado Central

A próxima parada é a Praça da Liberdade, que fica a 20 minutos de caminhada do mercado (se preferir pegue um táxi). A praça é o maior conjunto integrado de cultura do Brasil, com vários museus e espaços artísticos ao seu redor, ocupando o lugar dos antigos prédios públicos, veja detalhes aqui.

Por lá estão o Centro Cultural do Banco do Brasil, Arquivo Público Mineiro, Biblioteca Pública, Espaço do Conhecimento UFMG, só pra citar alguns. Pra mim, os mais legais são o Memorial Minas Gerais e o Museu das Minas e do Metal, com acervo sobre a mineração e metalurgia.

Palácio da Liberdade
Palmeiras e Edifício Niemeyer ao fundo
Praça
Museu das Minas e do Metal
Museu das Minas e do Metal

O circuito deve tomar o resto do seu dia. Para a noite, recomendo o premiado Restaurante Casa Cheia (da Savassi), que serve comida mineira caseira e de boteco há quase 70 anos. O ambiente e atendimento são agradáveis, a comida é boa e o preço é justo. Depois disso só uma boa noite de sono, pra te preparar pro outro dia.

Pra quem curte, o domingo inicia com a tradicional Feira Hippie da Avenida Afonso Pena, uma feira de artes e artesanato que acontece há 43 anos e conta com cerca de 2500 expositores!

Caso contrário comece com uma corrida de táxi até a Praça do Papa e o Mirante das Mangabeiras, de onde se tem uma vista panorâmica da cidade. No retorno peça pro taxista passar na famosa Rua do Amendoim (na verdade Rua Professor Otávio Magalhães), conhecida por ser uma ladeira em que carros desligados sobem ao invés de descer. Quem não viu não acredita e quem já viu estranha, e é esquisito mesmo. Mas folclores à parte, parece ser pura obra da ilusão de ótica.

Mirante das Mangabeiras
Mirante das Mangabeiras
Mirante das Mangabeiras

 

Depois siga para o complexo da Pampulha, que recentemente se tornou Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, com o título de Paisagem Cultural do Patrimônio Moderno.

Não deixe de entrar na Igreja São Francisco de Assis, mais conhecida como Igrejinha da Pampulha, um dos cartões-postais da cidade. Ela abriga quatorze painéis de Cândido Portinari, representando a Via Sacra.

As curvas da Igreja São Francisco de Assis
Lagoa da Pampulha com Igreja ao fundo

O complexo ainda engloba o Museu de Arte (antigo cassino), a Casa de Baile e o Iate Clube. O Estádio do Mineirão também fica ali. Você pode fazer um passeio de bicicleta ao redor da Lagoa, ou de parte dela (existem estações de aluguel de bicicleta).

Museu de Arte da Pampulha
Jardins no Museu de Arte da Pampulha
Mochila nas costas, depois seguimos direto pro aeroporto

O roteiro é redondo, cabe certinho em um final de semana e dá pra ter uma boa noção da cidade. Gostou do roteiro? Tem mais alguma dica de programa pra fazer em Belo Horizonte? Deixe seu comentário!

13 comentários em “Belo Horizonte em um final de semana

  1. Amei…. Morei em BH por 16 anos e achei que vcs foram bem objetivos. Faltou soh um barzinho(ou buteco como dizem os mineiros) com um rock n roll dos bons que os mineiros tanto amam… Valeu.

    1. Que bom Keila!! Nada como o comentário de um local.. Realmente não tivemos oportunidade (e tempo) pra ir num bar/boteco nesse estilo, mas fica a dica pra próxima viagem!

  2. Adorei a sugestão de roteiro. Fui muito a BH quando era mais jovem, pois tenho família lá. Não conheci o Museu das Minas e do Metal. Parece ser muito show! Fica para uma próxima ida…
    Parabéns pelo post! Abraços,
    Carolina

  3. Nossa, tem muita coisa para fazer em BH.
    Já fui para lá algumas vezes e sempre fico perdida naquelas ruas, que você entra em uma e sai do outro lado da cidade! hehehe
    Adorei o artigo, ótimas dicas!

  4. BH mora em meu coração.. morei por 2 anos quando era bem pequena e minha mãe sempre me contou sobre momentos maravilhosos.. na fase adulta fiquei em um projeto que me exigia passar a semana em BH e depois meu marido. Passeamos muito pelo Parque Municipal, muito lindo e pela Pampulha (onde morei). Oh trem bom so.. deu saudade. Preciso voltar e conhecer esse museu das minas.

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